terça-feira, 25 de dezembro de 2012


Na Hungria, menina perdeu os pais e foi entregue a seus tios que nunca permitiram que ela fosse alfabetizada.

Para não terem que continuar sustentando a sobrinha, quando ela completou 11 anos, os tios a entregaram à um senhor que a obrigava a fazer os serviços domésticos e trabalhar na roça.

Além do trabalho escravo infantil, a menina era vítima de maus tratos e sofria abuso sexual.

Durante o tempo, em que ficou cativa, a menina engravidou 12 vezes.

Ela relatou que, quando ficava grávida, ela era agredida até que abortasse os bebês, o que ocorreu várias vezes.

Dos bebês que nasceram, somente 4 crianças sobreviveram por causa das agressões, o trabalho em excesso, as péssimas condições de vida e por falta de cuidados médicos.

A mãe era obrigada a ir trabalhar, desde a manhã até a tarde e a deixar os bebês em casa, sem poder cuidar deles, mesmo quando adoeciam.

Como o senhor tinha uma filha, um pouco mais nova que a menina abusada, esta tentava cuidar dos bebês, seus meio irmãos. 

Percebendo que a 4ª criança sobrevivente, uma menininha, estava muito doente e iria morrer, ela planejou sua fuga, escondendo o pouco dinheiro que conseguia encontrar pela casa.

Certo dia, logo de madrugada, inventando que iria trocar a neném, o senhor permitiu que ela fosse depois para o trabalho na roça.

Ela conseguiu escapar do local mas não tinha a quem buscar ajuda, pois não conhecia ninguém.

Então, com o dinheiro que tinha, comprou uma passagem para uma cidade um pouco distante, da qual ouviu que, naquela época, havia muitas ofertas de emprego por lá.

Chegando na cidade e sem ter a quem buscar ajuda, ficou com os filhos na rua, até que uma moça, ao passar por ali, por pena das crianças, ofereceu ajuda.

Esta moça disse que estava indo para o trabalho, numa fábrica, de madrugada, quando sentiu pena das quatro crianças ao vê-las juntas à sua mãe, ao relento.

Ao conhecer a história, ela levou esta pequena família para sua própria casa e os deixou aos cuidados de sua mãe.

Foi a primeira vez que esta pequena família foi bem tratada e recebeu solidariedade.

O caso só ficou conhecido, anos depois, quando um dos filhos se tornou um escritor famoso e escreveu o livro “memórias de uma mãe batalhadora”.

Durante a infância ele e os irmãos passaram por vários abrigos até que a mãe conseguiu comprar um terreno, construir uma casa humilde e dar a eles uma vida melhor.

No livro ele descreve também que a mãe ainda se casou uma vez, mas quando percebeu que o marido não queria trabalhar, colocou ele p’ra fora de casa.

Anos depois, ela foi morar com um companheiro com quem permaneceu, até o seu falecimento, no ano passado.

O livro também descreve, como a vida sofrida, que a mãe teve, influenciou a ele e seus irmãos, trazendo consequências psicológicas, no comportamento, no modo de enxergar os fatos da vida e na vida sentimental, mesmo sendo bastante pequenos quando ocorreu a fuga.

Um dos irmãos tinha o mesmo comportamento do pai biológico, por várias vezes aplicava castigos físicos violentos em suas filhas e foi afastado de suas funções como policial devido ao excesso de violência com que tratava os presos. 

Além disso, era viciado em bebidas alcoólicas. 

Por isso, a mãe deles, permitiu que este irmão e sua família passassem a morar na casa que ela construiu, já que ele não parava em emprego. 

Alguns sobrinhos e sobrinhas do escritor, com o tempo, também tornaram-se alcoólatras .

O próprio escritor, que era o filho mais velho, disse que nunca desejou ter filhos, pois temia repetir os mesmos erros do pai biológico e logo que se casou, foi morar distante da família e assim permaneceu por longos anos, pois sua esposa não simpatizava com a sogra. 

E foi, durante anos, um fumante compulsivo.

Uma das irmãs do escritor sofreu uma profunda decepção amorosa, quando às vésperas de seu casamento, o noivo desapareceu, sem nem mesmo a família dele saber o seu paradeiro e explicar  se este havia fugido ou fora assassinado, já que moravam em bairro perigoso, habitado por traficantes.

Esta irmã, que trabalhava como bordadeira autônoma, ficou muito deprimida e abalada com o sumiço do noivo e ao procurar ajuda médica, foi diagnosticada como portadora de doença psiquiátrica, ficando internada, em antigos hospitais psiquiátricos, onde métodos de choques elétricos e fortes doses de medicamentos acabaram por torná-la uma pessoa doente.

Ela passou a se recusar a tomar banho e sempre viajava, pelas cidades vizinhas, à procura do noivo sumido, perambulando de cidade em cidade, vestindo várias trocas de roupas umas sobre as outras.

O escritor soube, anos depois, que sua nora (esposa de seu irmão alcoólatra) conseguiu a interdição de sua irmã e ficava com a maior parte de sua aposentadoria e impedia, várias vezes, dela entrar no quartinho dos fundos, construído nos fundos do terreno de sua mãe e que, antes de falecer ela pedia para chamarem sua irmã mais nova no que nunca foi atendida, pois certamente, temiam que ela denunciasse os maus tratos.

A irmã mais nova, que na época da fuga de sua mãe estava bastante doente e era ainda um bebezinho, passou vários anos em orfanato administrado por religiosas onde sofreu preconceitos por ser filha de “mãe solteira” (diziam que na certidão, no local do nome do pai, só havia  XXXX), “escurinha” (era chamada de índia) e pobre.

Por isso, durante a sua vida, teve vergonha de só ser registrada com o nome da mãe e de ter trabalhado como doméstica (antes do casamento).

Aprendeu, no orfanato, preconceitos contra negros, pobres e mulher desquitada.

Estes preconceitos, aprendidos por ser vítima de preconceito, inclusive a fez afastar, seus próprios filhos, da convivência com seus primos, pois, para ela, seus sobrinhos eram pobretões, sem cultura e bêbados.

Também, após o casamento, mesmo com a infidelidade do marido e falta de afeto, sempre rejeitou a ideia de separação e divórcio, o que, provavelmente,  a impediu de ser feliz na vida sentimental, pois durante o casamento, sempre dizia que o marido “a usava, virava pro outro lado e dormia”, que “homem era tudo igual” e que o marido era “grosseiro” e “mão de vaca”.

O livro “memórias de uma mãe batalhadora” termina mostrando que é essencial a proteção e especial atenção à infância, pois é nesta fase que vivenciamos, com mais intensidade, coisas que para adultos são sem importância, mas marcam a vida de uma pessoa.

Os pais precisam estar atentos ao fato de que os pequenos não tem maturidade mental e psicológica suficiente para entenderem ou assimilarem muitos fatos da vida.

Por isso, precisam estar alertas e evitar que os pequeninos sejam expostos, mesmo através de filmes, novelas, programas, conversas e noticiários, à fatos que ainda não estão prontos para poderem compreender.

E o livro deixa claro que, todas as vítimas de abusos, crianças e adultos, necessitam ter intenso acompanhamento psicológico para evitar ou amenizar as consequências nefastas.

E sugere que todas as pessoas devem, sempre, buscar ajuda especializada de terapeutas e psicólogos, quando passarem por sofrimentos intensos, como a morte de um ente muito querido (como a perda de um filho), o fim doloroso de um relacionamento amoroso, quando forem vítimas de assédio moral no trabalho, ou vitimados fisicamente por uma tragédia (como acidentes de trânsito que causem amputação). 

Segundo o livro, estes profissionais estão aptos a prestarem ajuda e a evitar que estes fatos tornem-se tão marcantes a ponto de mudar o rumo sadio da vida.

PS.: sou a autora do texto acima que retrata uma realidade vivenciada por pessoas próximas

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