de repente fiquei triste... porcaria...
Será que vale a pena?
Às vezes eu olho p’ra minha casa, toda
em desalinho e me pergunto: p’ra quê?
P’ra quê eu passo os meus dias a
trabalhar e aguentar gente chata e grosseira, correndo risco de perder dinheiro
a cada atendimento, tendo que me esforçar pra dizer a cada um que chega um “bom
dia”, “boa tarde”, “pois não”, “obrigada”, “de nada” e sempre sem mostrar mau
humor, fazendo o melhor semblante, como se a pessoa na minha frente fosse a
mais importante e merecedora de um ótimo atendimento!
Pra que tanto esforço em pagar as contas
em dia, o cartão de crédito, a escola, o combustível, pra que o comprar o
alimento conforme o gosto da família, tentar preparar a refeição, trazer o pão
e o leite?
Pra que se não encontro o retorno, a
contra-partida?
Eu vejo sempre esta casa assim, do mesmo
jeito ou diria, até bem pior... e pior a cada dia... e isto me estressa e deprime
e eu me pergunto será que a vida é isso?
Um esforçar-se sem ninguém entender, sem
ninguém perceber o quanto dói o trabalhar de todo dia e sem ninguém tentar
amenizar pra que eu não tenha mais uma jornada ao chegar em casa?
É isso, então?
Um dever de fazer e providenciar,
praticamente tudo, e receber migalhas?
Todo ser humano espera recompensa ou
gratidão.
E eu não sou diferente.
Nestes últimos dias estou cansada... nem
tenho forças pra falar alto, exigir ajuda, parece tudo tão inútil... palavras
ao vento...
E me dá uma vontade enorme de largar
tudo e ir embora.
Ir morar sozinha ou com uma amiga, que, pelo
menos, vai dividir tudo comigo: as
despesas, a limpeza, a comida e até mesmo as angústias...
Eu até fui procurar, mas depois, fiquei
a pensar que talvez a mais pequena fosse abandonada, sem cuidados, ou recebesse
palavras rudes que a enchessem de culpa e dor, diariamente, por quem se
ocupasse de cuidar dela.
Daí me lembro daquele filme aonde a mãe
sufocada abandona o marido e o filho pequeno que a amava demais!
E depois o filho cresce infeliz, com
culpa, com dor, e frustrado acaba se matando.
E a mãe aparece no enterro e quando
alguém pergunta à ela porque ela fez isso?
Ela diz que pra ela o ficar na família,
no passado, era a morte.
Ou seja talvez se eu fujo seja pra mim
libertação mas morte e destruição pra outros.
E lembro daquele moço infeliz que sofreu
muito, na infância, nas mãos de parentes quando ficou órfão porque o pai se
matou.
E continuou vida a fora atormentado...
E mesmo entendendo que o pai estava
sofrendo e desesperado, ele pergunta:
-- Será que meu pai não podia suportar
mais um pouco a própria dor por amor de mim?
Então, eu mesma me encho de culpa por estes
meus pensamentos e até remorso por fazer estas suposições...
É sempre o peso da responsabilidade que
me bate à porta e me paralisa ou me acorrenta!
Mas será que vai valer a pena?
Será que amanhã, na velhice, eu não vou
pensar que deveria ter pensando mais um mim mesma e menos nos outros?
Quando era adolescente eu pensava que um
dia eu iria juntar muito dinheiro e iria pagar pra minha mãe por cada dia que
ela me jogou na cara que cuidou de mim.
Eu iria pagar pra ela parar de reclamar
e brigar e dizer que o melhor pra ela era eu nunca ter nascido, que eu era
maldita, e coisas piores, que nem devo escrever aqui...
Ou seja, eu não queria ficar devendo
nada pra ninguém.
Mas hoje em dia as pessoas querem mais é
ficar devendo, é ficar em débito, e nunca nem pensar em ajudar quem te dá a mão
ou buscar ser, ao menos, bondoso com quem cuidou e cuida delas, ou então,
tentar retribuir fazendo o fardo ser mais leve.
Será que é tão difícil ?
Lavar um banheiro, separar roupas, por
na máquina, estender e recolher do varal.
Será que é tão difícil ?
Ir no supermercado, comprar o que está
acabando, lavar e guardar as verduras?
Será que é mesmo tão penoso?
Fazer um suco de laranja, preparar uma
sopinha?
Será que causa dores passar as roupas,
dobrá-las e organizar nas gavetas?
Ou então pôr esticadinhas nos cabides?
O quanto será que vai quebrar dos ossos
de uma pessoa se ela recolher todo o lixo da casa e colocar nos contêineres?
Será que vai cansar demais pra quem fica
em casa?
Ligar pra agendar o ortodentista?
Ir fazer as matrículas?
Sair pra comprar o calçado pro outro?
Cobrar a encomenda que não chega?
Levar o equipamento na assistência
técnica?
Ir trocar por número maior o presente de
natal que ficou pequeno?
Eu não sei responder... só sei que a
minha alma dói, meu corpo se estafa, meus olhos molham e o sono regular me abandona...
toda madrugada!
Eu reconheço que as pessoas melhoraram,
agora já são capazes de um abraço e já sabem resistir à palavras rudes em
muitas ocasiões.
Mas não sei se eu resisto até a completa
transformação.
Não sei se suporto até a boa mudança.
Até o fim do caminho a ser trilhado.
Descobri que não tenho mais tanta tolerância
à dor e à agressão e ao descaso com o meu esforço...
Que Deus me dê forças, um espírito de
perseverança, renove as minhas esperanças e me presenteie com mais doses de
amor ao próximo, porque tá difícil!
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