cultura de massa meios de comunicação de massa
Cultura de Massa, Escola de Frankfurt e o Grupo
Progressista/Evolucionista.
CULTURA DE MASSA – BREVE
INTRODUCAO
Quando pensamos no nosso cotidiano social, lembramos logo da
agitação do dia-a-dia, dos inúmeros carros nas ruas, das falas, gestos, gostos
e hábitos comuns, da padronização de vestes e de como o “diferente” no meio da
multidão, nos surpreende.
E assim, podemos concluir que estamos ou somos, de fato,
conduzidos por uma onda poderosa, que nos manipula e nos torna aquilo que esta
onda deseja.
E isto é o resultado daquilo que os sociólogos chamaram de
Cultura de Massa.
O comportamento e o pensar humano, público e individual, foi
ativamente afetado pelo acelerado desenvolvimento industrial, pelo processo de
urbanização, pelas transformações sociais e o desenvolvimento dos meios de
comunicações.
Assim, cultura de massa designa uma nova ordem social no plano
da produção e do consumo, ou seja, é o tipo de cultura produzido e consumido
nesta nova sociedade.
Os meios de comunicação são os veículos pelos quais, aos quatro
cantos do mundo, chegam informações das tendências (políticas e ideológicas)
que surgem.
Esta cultura de massa é acessível, portanto, a praticamente,
todas as pessoas (já que sempre alguém possui
um rádio, uma TV, frequenta um cinema, acessa internet, tem celular, etc).
Ninguem fica imune a ela.
CULTURA DE MASSA OU INDÚSTRIA
CULTURAL – CONCEITO
É tudo aquilo que é produzido com o objetivo de atingir a massa
popular, e que são disseminados pelos veículos de comunicação de massa (mídias).
Cultura de massa, portanto, consiste na produção industrial de
um universo de produtos relacionados a moda, lazer, esportes, cinema, imprensa,
espetáculos, literatura, música e outros e que influenciam e caracterizam o
atual estilo de vida.
E para isto, o grande responsável pela formação desta opinião
publica semelhante/igualitária, são os meios de comunicação de massa, algo que,
afinal, ninguém pode duvidar do seu poder de influenciar o gosto,
comportamento, anseios, visão do mundo, juízo e valor.
Em qualquer área, os meios de comunicação podem criar ou
destruir conceitos, idéias e pessoas (sua reputação, importância, fama).
E isto ocorre frequentemente: cria-se um novo produto de
consumo, que é promovido e divulgado pelos meios de comunicação e, depois de
exaustivamente consumido, ele pode ser eliminado tão rápido quanto surgiu.
Exemplos (de produtos ditos “essenciais” ou imprescindíveis” não
faltam): ídolos, artistas, músicas, livros, filmes, assuntos, temas, estilos de
roupa... são criados e existem enquanto são sinônimos de lucro. Que é,
portanto, a principal meta desta persuasão do consumo.
Aparentemente, a cultura de massa visa tornar-se padronizada,
quer agradar ao gosto médio, quer ser acessível a todas as classes sociais.
Mas a verdade é que a questão das diferenças sociais ainda
permanece, pois democratizou-se o produto (ou o conceito) mas não a sua
qualidade.
Na aparência, há a oferta dos mesmos produtos e existem preços
acessíveis a todos.
Mas produtos com qualidade possuem preços muito superiores, e
são destinados às classes mais abastadas.
AS REPERCUSSÕES SOCIAIS
DO CONSUMO E AS IMPLICACOES IDEOLÓGICAS E POLÍTICAS DA CULTURA DE MASSA
Neste quesito não há consenso, mas podemos formar nossa opinião
a respeito, considerando duas concepções que foram trazidas por pensadores da
cultura de massa.
Uma, pessimista, formulada pela Escola de Frankfurt e outra
oposta, defendendo a cultura de massa, apresentada pelo grupo conhecido como
Progressista/Evolucionista.
Vamos a elas.
I - ESCOLA DE FRANKFURT
A Escola de Frankfurt preocupava-se com o uso que os agentes da
cultura de massa faziam da cultura popular, pois quando se apropriam da cultura
popular, esta perde a sua essência.
Como citado na aula: pegaram a musica caipira e a transformaram
num produto altamente lucrativo que foi chamado de sertanejo universitário.
Theodor Adorno fala sempre em industria cultural, exatamente
para não haver confusão com a cultura popular (como o jongo, que é algo espontaneo,
genuíno do povo). Até porque o termo indústria traz em si a idéia de reprodução.
E é isso que ocorre: mais reproduções do mesmo.
Vamos parar para pensar no que esta indústria cultural, estas
reproduções, fazem de relevante.
O quanto e que tipo de ideologia vem sendo propagada pelos
veículos de massa? Que conteúdo e esse?
Sabemos que as mídias são formadoras de opinião, então a escola
de Frankfurt fez isso: estudou as repercussões sociais, políticas e ideológicas
dos veículos de massa.
As consequências negativas, observadas pela exposição à indústria
cultural, foram:
1. Padronização do gosto, o consumidor não tem particularidade,
não tem identidade, não tem senso critico.
2. Reprodução mecânica, cópia ou imitação
de obras de arte em larga escala (kitsch) fazendo com que a arte erudita seja
banalizada, perdendo a sua função transformadora, tornando-se apenas objeto de
decoração. Já a arte popular perde suas características de arte rústica e sua
identidade, torna-se produto de consumo fácil.
3. A ideologia da indústria cultural torna
as pessoas conformistas. Substitui a consciência critica pelo incontido desejo
de consumir. Há um excesso de informações determinando o consumo e as pessoas
acabam condicionadas.
Como foi relatado na aula: os jovens vão em
uma balada sertaneja, e já estão condicionados ao consumo de cerveja enquanto curtem o som, ao uso de tal
roupa, a tal comportamento. Tudo visa ao consumo e lucro e ninguém questiona.
A indústria cultural é manipuladora e fica
muito difícil aos cidadãos resistirem aos seus efeitos.
DEBATE – Na sala de aula foram
colocadas outras observações, citaram o Romero Brito, como exemplo clássico de
reprodução. O artista utiliza formas e cores num mesmo padrão e,
indiscriminadamente, usa estas estampas em produtos de massa, até em caixas de
sabão em pó. O discurso deste artista é de querer levar a arte para todas as
pessoas e, neste caso, até a dona de casa pode ter arte na caixa de sabão em
pó.
A estudante Larissa, questionou se este
discurso de levar arte a todos os lugares, como diz Romero Brito, seria
discurso político demagogo ou se ele acharia isso mesmo.
Outros perguntaram se como ele está na
dinâmica desta coisa de fabricação, se ele ainda seria considerado artista pois
suas obras perderam o caráter de genuíno.
A aluna Ana Esmeralda foi em defesa de
Romero Brito, lembrando que ele “fazia tatuagem na praia, que ralava como um
condenado”, que tem muitos quadros, antes destes que ficaram famosos e que
agora, querem tirar o mérito dele como artista, porque suas obras ficaram
popularizadas.
Alguém disse que até a “Monalisa” é popular
mas ninguém duvida que ela seja uma obra
de arte.
A professora Patrícia informou que, hoje em
dia, são coisas difíceis de mensurar, como dizer se alguém é, ou não, artista,
se busca somente o retorno financeiro, se quer a padronização do gosto para
obter lucro.
Observou que há artes que necessitam da
reprodução, como a música que tem um produto material.
Já o teatro e a dança, por suas
especificidades de linguagem, trabalham com menos reprodução, pois assistimos
ao “aqui e agora”, assistimos ao genuíno. Os espetáculos de dança e teatro
nunca são iguais. “É aquele momento que está ocorrendo”. Diferentemente da
pintura de um quadro.
II – GRUPO
PROGRESSISTA/EVOLUCIONISTA
Passando para as observações do GRUPO PROGRESSISTA/EVOLUCIONISTA, estes
defendem a cultura de massa, como democrática e pluralista, pois agora todos
tem acesso à cultura, inclusive a população carente.
Acreditam que os mais carentes não teriam a chance de aprender a
ler e escrever se não fosse pela popularização da cultura através dos veículos
de comunicação de massa. Dizem que agora todos podem participar das atividades
culturais e consumir o saber. Assim, com esta participação real na cultura,
aumentaria a influencia de todos os estratos sociais nas decisões políticas e
sociais do Estado. Para eles a cultura de massa eleva os padrões educacionais,
o aumento da riqueza e do lazer.
Este grupo acredita, também, que a população
tem acesso ao debate político, possuem força para rejeitar teses das classes
dominantes, impedem o controle social e político de antigamente.
Como exemplo atual, temos na televisão um
debate político dos candidatos à presidência. Mas será que todas as tendências
estão sendo abordadas?
Esta situação de trazer todos e cada um
poder falar, se propõe a ser democrática. Mas, alguém é privilegiado na fala do
debate?
Para o grupo progressista/evolucionista a reprodução
mecânica em larga escala não é prejudicial para a obra de arte, não há um
rebaixamento dos padrões culturais.
Acreditam que o avanço das comunicações e o
desenvolvimento tecnológico, propagam a informação e melhor divulgam o
conhecimento.
DEBATE - No início do debate
sobre as duas tendências, foi dito que as individualidades não são respeitadas,
todos são vistos como um todo, tratam todo mundo como massa, não respeitam ao
particular.
E que, realmente, propagam informações, mas
não dão espaço para que todos falem, sempre há uma tendência manipuladora.
E que podemos denunciar barbáries pelos
veículos de comunicação de massa. Em outros tempos alguém poderia ser morto e enterrado
e ficar no “ninguem sabe, ninguém viu”.
Interessante observar que a cultura de
massa e os veículos de comunicação trazem esta ideia de algo mais democrático,
todo mundo pode ver tudo pela internet. Mas que conteúdo, que recorte esta sendo
feito?
Temos mais acesso às denuncias, mas ainda
temos a manipulação da informação.
A aluna Gabriela lembrou que tivemos uma
postagem na internet, denunciando um fato, mas depois ficamos sabendo que a história
era completamente distorcida. Era sobre uma indígena que não conseguiu chegar à
tempo na maternidade e teve o parto na escada da portaria do hospital. Ela
disse que foi divulgado como ocorrido no Brasil e que a culpa era do PT. Mas,
depois, descobriram que era no México.
Relatei em sala de aula, que a gente mesmo
se permite ser manipulado quando não buscamos a realidade dos fatos. Assim como
disse a Gabriela, pela televisão chegou a notícia de um casal que retirou o
filho enfermo de um hospital, sem a alta médica, e a policia estava atrás do
casal, pois a criança iria morrer, pois sem o aparato hospitalar, a criança nem
conseguiria se alimentar.
Na internet muitos postaram que o casal era
ignorante, que tiraram o menino do hospital porque eram Testemunhas de Jeová,
que deixariam o filho morrer.
Se alguém encontrasse o casal na rua, eles
seriam massacrados. Depois, ficamos sabendo que era um protesto para que o
filho recebesse um tratamento medico eficaz.
Então, de fato, nós reproduzimos mentiras,
sem checar a realidade dos fatos.
Eu disse também que reproduzimos, muitas
vezes, coisas criadas a partir de falas fora do contexto (recortes), como na
imagem da capa da revista, trazida na aula.
E que “compramos” idéias prontas, com
preconceitos. Por exemplo, falam muito, no facebook, que uma candidata não se
posiciona sobre os homoafetivos. E aí uma colega, que se formou em direito
recentemente, escreveu que estas postagens pedem um posicionamento de uma coisa
que já está decidida na lei, que já existe o direito legal e que até o TCC dela
foi sobre isso. Então, a gente começa a contestar, a criar polêmicas sobre
coisas que estão sedimentadas e comenta nas redes sociais e reproduz isso para poder
falar mal de alguém.
E eu disse que o texto (que usamos na aula)
diz que agora qualquer um pode comprar Guimarães Rosa em qualquer banca.
Mas, a pessoa vai lá na banca e pode
comprar. Mas não compra. É como o livro “A menina que roubava livros”. Todo
mundo assiste ao filme, mas ler o livro poucos conseguem ler, porque ele é
complicado, tem linguagem mais culta, difícil.
A cultura de massa pode fazer tudo um pouco
mais democrático mas não foge da manipulação.
Um aluno disse que Salvador Dali também teve obras feitas só
para vender. Ele assistiu a um documentário que falava sobre isso.
O aluno Regis falou que, no teatro, tem reprodução de espetáculos
prontos, só colocam os atores e as roupas e cada gesto e fala deve ser igual.
A professora disse que na comédia, alguns podem usar coisas que
sabem que deram certo. O ator entra e faz “assim” porque a plateia vai rir,
porque sabe que dá certo. Conhece um gesto que faz rir e isso a pessoa repete porque
é um procedimento que dá certo e vai alavancar público.
O estudante Dimas colocou que, em arte, se chama “estilo” esta
reprodução, pois o artista cria um padrão, é o estilo do “cara” este “sempre a
mesma coisa”. Mas a professora argumentou que estilo permite a criação. E a
aluna Ana completou dizendo que “também permite a reprodução”.
OUTRAS CONSIDERAÇÕES
SOMOS MANIPULADOS PARA O BEM OU PARA O MAL
Sabemos do grande potencial de influência que os meios de
comunicação possuem. E que são utilizados para benefícios e malefícios. Por
exemplo: estabelecendo um regime totalitarista, como na Alemanha nazista ou
angariando fundos para crianças em situação de risco.
Há duas faces mas, sempre, as pessoas são o alvo da manipulação,
as pessoas são vistas como elemento de consumo.
Se considero a ajuda humanitária importante, posso manipular
pessoas para que contribuam nesta causa, colocando-as em “contato” com as
situações de dor, sofrimento, escassez de alimentos, privação da liberdade,
injustiças e assim, ficam sensibilizadas e propensas a ajudar. Pois ninguém
está tão longe ou imune que não seja impactado por vídeos e fotos que mostram a
dura realidade de muitos, mundo afora.
O Alemanha acreditou e aceitou como boas as ideias absurdas de
Hitler e seus líderes principais, que utilizaram-se da propaganda para as
pessoas pensarem do seu modo, para enxergarem apenas que eram pessoas
grandiosas, incutiu nas mentes um raciocínio medíocre, preconceituoso e maléfico
a ponto de os alemães considerarem os
judeus inimigos ou inferiores apenas por serem de outra crença. Hitler foi um
inteligente psicotapa que soube manipular com enorme eficácia até pessoas de
bom nível financeiro, pessoas estudadas, graduadas, pensadoras. Os nazistas
aprovaram leis que massacraram vidas inocentes.
Hoje em dia, temos que estar com a mente alerta quando surgir,
em nossos pensamentos, preconceitos religiosos, como acontece contra o islamismo
(por notícias sobre os terroristas ou abusos em casamentos com meninas
impúberes) ou contra cristãos (por maus políticos, por padres pedófilos ou
líderes religiosos exploradores da fé) ou contra religiões de origem africana
(por notícias sobre sacrifícios dolorosos em animais), ou contra qualquer outra
religião, pois raciocínios fechados, num único padrão conceitual, num dogma,
pode levar a extremos.
Temos que ter cautela, portanto e principalmente, com as leis.
Pois quando a lei é permissiva, abusos acontecem. A lei deve agradar a
maioria mas nunca irá agradar a todos.
Não pode ser permissiva a ponto de alguém encontrar uma maneira de pôr em
prática coisas nocivas aos que não podem se defender.
Vejo isso no projeto de lei para que crianças possam mudar
sua aparência sexual. Penso que são
ainda muito pequenos para saberem, com exatidão o que querem na vida. Mas não é
impossível manipular ideias e opiniões e pode-se criar situações, para que os
cidadãos considerem boa esta lei e seja aprovada.
Vejo isso nos projetos de leis que querem tirar do Judiciário, o
seu poder decisório sobre muitas questões, principalmente as que versam sobre o
poder executivo, pois sem leis restritivas muito mais corrupção será praticada,
quando os políticos forem julgados sempre e somente por seus pares.
RECEBEMOS MENSAGENS DE ACORDO COM O PERFIL PSICOGRÁFICO O QUE TORNA
DIFÍCIL PERCEBER A MANIPULAÇÃO DO PENSAR
Na Cultura de Massa o objetivo é sempre o lucro e não as artes,
lazer e todas as formas de sociabilidade. Buscam alcançar os “receptores” das
mensagens através das tecnologias da globalização, usados para persuasão e
manipulação daqueles.
Existe uma teoria da comunicação chamada de “bala mágica” que é
uma metáfora sobre o poder de uma bala (mensagem) atingir as pessoas em poucos
segundos e o fazer com que as pessoas criem suas opiniões de acordo com o que
“receberam” por meio das mídias.
A mídia tem poder de criar padrões de gosto, através daquilo que
os teóricos da comunicação de massa resolveram chamar de “persuasão do
consumo”.
Essa persuasão depende do público a quem se quer
atingir/alcançar e o feedback da sensação da sociedade sobre o produto.
Buscam promover sensações para uma comoção e aceitamento da
opinião das mídias/cultura de massa.
Para vender cada vez mais, conseguindo padronizar, buscam
conhecer e alcançar perfis psicográficos específicos, de acordo com a
necessidade de venda do mercado.
AS PESSOAS TEM A FALSA SENSAÇÃO DE ESTAR INSERIDO NO CONCEITO
QUE O PRODUTO OFERECE
As diferenças entre as classes sociais desaparecem apenas na
aparência do produto, os “marketeiros” pensam primeiro em vender uma ideia para
que as pessoas associem os produtos consigo mesmas e as comprem,
Exemplo: a Coca Cola cujo slogan é ”Coca-cola, viva o lado bom
da vida”. O produto pode ser ruim para a saúde mas traz felicidade, é o lado
bom da vida.
Um artista da Pop Art, chamado Andy Warhol e a própria Pop Art
defendiam que, no futuro, todos teríamos os nossos 15 minutos de fama, a arte
seria efêmera e igual (para que todos pudessem consumir). Então houve grande
produção, em massa, nas indústrias, de arte para todos. Exemplo: “Campbell’s
soup” feita por Warhol, reproduzida
várias vezes até acabar a tinta.
Hoje em dia, muitas pessoas preferem comprar marcas pelas ideias
que elas vendem (beleza, felicidade, singularidade) ao invés de comprar algo
por um preço baixo, onde a tal marca não vende felicidade por trás do produto.
Exemplo é o jeans. O tecido é o mesmo e o valor é diferente.
Paga mais quem quer.
Em outros casos, a qualidade das grandes marcas são melhores que
as marcas não conhecidas e isso diferencia as classes sociais.
O produto é democratizado, a qualidade não, pois a classe social
mais alta e dominante não quer se igualar aos de classe social mais baixa.
A IMPORTÂNCIA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO NA INDÚSTRIA CULTURAL
Em pesquisa pela internet, encontrei vários textos atribuídos a
Morin, Martin-Barbero, Teixeira Coelho e Aranha.
E pela minha percepção dos tais textos, entendi que a indústria
cultural faz um intercâmbio entre o real e o imaginário, pois a maioria dos
homens, incapaz politicamente e socialmente, necessita de um imaginário no seu
cotidiano para poderem viver, precisam de uma arte fácil, de uma diversão como
forma de passar o tempo.
Por isso é que os romances de folhetim e programas de rádio
fizeram e, programas e novelas da televisão, fazem tanto sucesso. A indústria
cultural, através desses meios, cria modismos, destinados a um público
semiculto e passivo, o povo é alvo principal da produção.
O consumo constante destas mídias causa a alienação ao povo, os
torna passivos, sem consciência de si como grupo social, e é aí que consiste o
perigo dos meios de comunicação de massas, ao tornarem o público incapaz de
transformar a realidade. Com a diversão o indivíduo foge da realidade, gerando
o conformismo social.
Os autores atribuem como fato benéfico, que as crianças dominam
a linguagem mais cedo, devido ao acesso a televisão. Este acúmulo de
informações poderia contribuir, de certa maneira, na formação do indivíduo.
Todos os autores se mostram preocupados em estudar quais os efeitos imediatos ou de longo prazo
sobre o indivíduo, seja para uma campanha sobre um produto a ser consumido,
seja sobre uma propaganda político-eleitoral.
Apontam que os cidadãos não decidem mais – de forma individual –
seus impulsos. Eles estão em conflito com sua consciência, pois os impulsos são
formados, sem resistência, em decorrência da adesão aos valores impostos pela
cultura do capitalismo que, inclusive, cria necessidades que nunca foram
vitais, essenciais.
Eu, de fato, acredito que o indivíduo, que depois do cansaço do
trabalho, chega em casa e se senta diante da TV ou da internet, agora despreocupado,
sem estar com a mente alerta, está propenso, nesta ocasião, a ser manipulado.
Ele recebe informações prontas, está com a mente passiva, está
com a mente aberta para receber novas ideias, está entregue aos interesses de
quem busca manipular os demais.
Esta cultura massificada desestimula a reflexão e a
individualidade, todos acabam por agir de modo parecido, passivo e conformista,
as idéias propagadas fortalecem os interesses de grupos dominantes.
Há um conteúdo, na internet, atribuído à Teoria Crítica, cujos
pensadores dizem que, quanto à arte em si, a indústria cultural trouxe o acesso
de grupos marginalizados a obras antes distantes, que assim, perderam sua
“aura”.
E um grupo de pensadores ditos “integrados” observam que, de
qualquer forma, a massificação atual, se usada corretamente, promove uma
importante propagação e promove unificação de grupos, eliminando preconceitos e
distanciamentos, provocados por questões meramente regionais.
SOBRE OS EFEITOS DOS
MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
Quanto ao assunto desta aula, os meus olhos se voltam mais para
os meios de comunicação de massa, com os
instrumentos dos quais se serve a indústria cultural.
Preocupa-me o engano das pessoas de terem uma vida on-line, o eu-virtual, de terem a mente passiva e
receberem tudo pronto da televisão, e do que tudo isso, provoca nas pessoas e
nos relacionamentos.
Eu, pessoalmente, estou muito preocupada, com os efeitos da Indústria
Cultural sobre as crianças, pois percebo que muitas estão perdendo a
criatividade ao serem, excessivamente, expostas às mídias de comunicação de
massa. As crianças também acabam por perderem sua individualidade, querem estar
num padrão ditado pela indústria cultural. Tornam-se consumistas de produtos
criados para adultos e tem preocupações que impedem até que aproveitem,
livremente, a infância. Vejo muitas meninas, que se vestem conforme a moda, só
saem de cabelo escovado, de rímel e batom, e meninos igualmente. E as
“brincadeiras”não são mais criativas, brincam com jogos da internet, de ouvir
músicas na smartphone, de conversar em redes sociais, assistir filmes e ir ao
MC Donald`s.
Sabe-se que crianças com comportamento agressivo possuem relação
exagerada com a televisão. Da mesma forma, as que possuem um rendimento escolar
abaixo do ideal apresentam o mesmo hábito em muitos casos.
Como trabalho em atendimento ao público vejo uma decadência, na
capacidade dos adultos perceberem as coisas ao seu redor, de se relacionarem no
mundo real, ter vida social. Sabem ler e escrever, mas não conseguem localizar
um termo num texto pequeno. No meu caso, olham e olham um pequeno comprovante
bancário e com muito esforço, descobrem aonde está escrito “”saldo”,
”depósito”, ”transferência”, ”pagamento”.
Tem ideias erradas e equivocadas sobre acontecimentos noticiados,
não percebem os filhos que estão próximos, são agressivos com as crianças sem
necessidade, porque estão teclando no celular.
Presos na tela, não entendem perguntas a eles dirigidas, chegam,
depois de receber uma informação do que precisam fazer, (por exemplo de algum
órgão público) mas só entendem parcialmente a informação recebida.
Outros nem se lembram do que lhes disseram (talvez por
incapacidade de prestar atenção na fala do outro, ou por ser mais importante
fosse responder ao Messenger do que estar atento ao que nos falam
pessoalmente.)
E todos, querem receber o que precisam, de maneira pronta, neste
outro lugar aonde eu trabalho, como se a vida e necessidades da pessoa fossem
acessíveis, como se as mentes de todas as pessoas estivessem conectadas.
E o pior acontece, nas famílias, quando a indústria cultural os
convence que vida feliz é estar no eu-virtual e daí, muito pai e mãe esquece
que tem um filho, uma filha, com quem partilhar a vida real.
Exercitar o senso crítico, a percepção, a realidade. É preciso.
Comentários
Postar um comentário
Obrigada por compartilhar conosco suas idéias.