Lendo fatos como este, num dia de natal, me entristeço e, para amenizar, começo a comer doces!
Na
Hungria, menina perdeu os pais e foi entregue a seus tios que nunca permitiram
que ela fosse alfabetizada.
Para
não terem que continuar sustentando a sobrinha, quando ela completou 11 anos,
os tios a entregaram à um senhor que a obrigava a fazer os serviços domésticos
e trabalhar na roça.
Além
do trabalho escravo infantil, a menina era vítima de maus tratos e sofria abuso
sexual.
Durante
o tempo, em que ficou cativa, a menina engravidou 12 vezes.
Ela
relatou que, quando ficava grávida, ela era agredida até que abortasse os
bebês, o que ocorreu várias vezes.
Dos
bebês que nasceram, somente 4 crianças sobreviveram por causa das agressões, o
trabalho em excesso, as péssimas condições de vida e por falta de cuidados médicos.
A
mãe era obrigada a ir trabalhar, desde a manhã até a tarde e a deixar os bebês
em casa, sem poder cuidar deles, mesmo quando adoeciam.
Como
o senhor tinha uma filha, um pouco mais nova que a menina abusada, esta tentava
cuidar dos bebês, seus meio irmãos.
Percebendo
que a 4ª criança sobrevivente, uma menininha, estava muito doente e iria
morrer, ela planejou sua fuga, escondendo o pouco dinheiro que conseguia
encontrar pela casa.
Certo
dia, logo de madrugada, inventando que iria trocar a neném, o senhor permitiu
que ela fosse depois para o trabalho na roça.
Ela
conseguiu escapar do local mas não tinha a quem buscar ajuda, pois não conhecia
ninguém.
Então,
com o dinheiro que tinha, comprou uma passagem para uma cidade um pouco
distante, da qual ouviu que, naquela época, havia muitas ofertas de emprego por
lá.
Chegando
na cidade e sem ter a quem buscar ajuda, ficou com os filhos na rua, até que
uma moça, ao passar por ali, por pena das crianças, ofereceu ajuda.
Esta
moça disse que estava indo para o trabalho, numa fábrica, de madrugada, quando
sentiu pena das quatro crianças ao vê-las juntas à sua mãe, ao relento.
Ao
conhecer a história, ela levou esta pequena família para sua própria casa e os
deixou aos cuidados de sua mãe.
Foi
a primeira vez que esta pequena família foi bem tratada e recebeu solidariedade.
O
caso só ficou conhecido, anos depois, quando um dos filhos se tornou um
escritor famoso e escreveu o livro “memórias de uma mãe batalhadora”.
Durante
a infância ele e os irmãos passaram por vários abrigos até que a mãe conseguiu
comprar um terreno, construir uma casa humilde e dar a eles uma vida melhor.
No
livro ele descreve também que a mãe ainda se casou uma vez, mas quando percebeu
que o marido não queria trabalhar, colocou ele p’ra fora de casa.
Anos
depois, ela foi morar com um companheiro com quem permaneceu, até o seu
falecimento, no ano passado.
O
livro também descreve, como a vida sofrida, que a mãe teve, influenciou a ele e
seus irmãos, trazendo consequências psicológicas, no comportamento, no modo de
enxergar os fatos da vida e na vida sentimental, mesmo sendo bastante pequenos
quando ocorreu a fuga.
Um
dos irmãos tinha o mesmo comportamento do pai biológico, por várias vezes
aplicava castigos físicos violentos em suas filhas e foi afastado de suas
funções como policial devido ao excesso de violência com que tratava os presos.
Além disso, era viciado em bebidas alcoólicas.
Por isso, a mãe deles, permitiu
que este irmão e sua família passassem a morar na casa que ela construiu, já
que ele não parava em emprego.
Alguns sobrinhos e sobrinhas do escritor, com o
tempo, também tornaram-se alcoólatras .
O
próprio escritor, que era o filho mais velho, disse que nunca desejou ter
filhos, pois temia repetir os mesmos erros do pai biológico e logo que se
casou, foi morar distante da família e assim permaneceu por longos anos, pois
sua esposa não simpatizava com a sogra.
E foi, durante anos, um fumante
compulsivo.
Uma
das irmãs do escritor sofreu uma profunda decepção amorosa, quando às vésperas
de seu casamento, o noivo desapareceu, sem nem mesmo a família dele saber o seu
paradeiro e explicar se este havia
fugido ou fora assassinado, já que moravam em bairro perigoso, habitado por
traficantes.
Esta
irmã, que trabalhava como bordadeira autônoma, ficou muito deprimida e abalada
com o sumiço do noivo e ao procurar ajuda médica, foi diagnosticada como
portadora de doença psiquiátrica, ficando internada, em antigos hospitais
psiquiátricos, onde métodos de choques elétricos e fortes doses de medicamentos
acabaram por torná-la uma pessoa doente.
Ela
passou a se recusar a tomar banho e sempre viajava, pelas cidades vizinhas, à
procura do noivo sumido, perambulando de cidade em cidade, vestindo várias
trocas de roupas umas sobre as outras.
O
escritor soube, anos depois, que sua nora (esposa de seu irmão alcoólatra)
conseguiu a interdição de sua irmã e ficava com a maior parte de sua
aposentadoria e impedia, várias vezes, dela entrar no quartinho dos fundos,
construído nos fundos do terreno de sua mãe e que, antes de falecer ela pedia
para chamarem sua irmã mais nova no que nunca foi atendida, pois certamente,
temiam que ela denunciasse os maus tratos.
A
irmã mais nova, que na época da fuga de sua mãe estava bastante doente e era
ainda um bebezinho, passou vários anos em orfanato administrado por religiosas
onde sofreu preconceitos por ser filha de “mãe solteira” (diziam que na
certidão, no local do nome do pai, só havia
XXXX), “escurinha” (era chamada de índia) e pobre.
Por
isso, durante a sua vida, teve vergonha de só ser registrada com o nome da mãe
e de ter trabalhado como doméstica (antes do casamento).
Aprendeu,
no orfanato, preconceitos contra negros, pobres e mulher desquitada.
Estes
preconceitos, aprendidos por ser vítima de preconceito, inclusive a fez
afastar, seus próprios filhos, da convivência com seus primos, pois, para ela,
seus sobrinhos eram pobretões, sem cultura e bêbados.
Também,
após o casamento, mesmo com a infidelidade do marido e falta de afeto, sempre rejeitou
a ideia de separação e divórcio, o que, provavelmente, a impediu de ser feliz na vida sentimental,
pois durante o casamento, sempre dizia que o marido “a usava, virava pro outro
lado e dormia”, que “homem era tudo igual” e que o marido era “grosseiro” e
“mão de vaca”.
O
livro “memórias de uma mãe batalhadora” termina mostrando que é essencial a
proteção e especial atenção à infância, pois é nesta fase que vivenciamos, com
mais intensidade, coisas que para adultos são sem importância, mas marcam a
vida de uma pessoa.
Os
pais precisam estar atentos ao fato de que os pequenos não tem maturidade
mental e psicológica suficiente para entenderem ou assimilarem muitos fatos da
vida.
Por
isso, precisam estar alertas e evitar que os pequeninos sejam expostos, mesmo
através de filmes, novelas, programas, conversas e noticiários, à fatos que
ainda não estão prontos para poderem compreender.
E
o livro deixa claro que, todas as vítimas de abusos, crianças e adultos,
necessitam ter intenso acompanhamento psicológico para evitar ou amenizar as consequências
nefastas.
E
sugere que todas as pessoas devem, sempre, buscar ajuda especializada de
terapeutas e psicólogos, quando passarem por sofrimentos intensos, como a morte
de um ente muito querido (como a perda de um filho), o fim doloroso de um
relacionamento amoroso, quando forem vítimas de assédio moral no trabalho, ou
vitimados fisicamente por uma tragédia (como acidentes de trânsito que causem
amputação).
Segundo o livro, estes profissionais estão aptos
a prestarem ajuda e a evitar que estes fatos tornem-se tão marcantes a ponto de
mudar o rumo sadio da vida.
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